Apresentação

 

No âmbito do Projecto “Acolhimento e Integração de Requerentes de Asilo em Portugal”, financiado pela Iniciativa Comunitária EQUAL, o Conselho Português para os Refugiados (CPR) apresenta o “Guia de Acolhimento e Integração de Refugiados em Portugal.

O presente Guia é dirigido aos técnicos que trabalham junto dos requerentes de asilo e refugiados em Portugal, apresentando-se como um instrumento de trabalho dinâmico e em constante actualização.

A realização deste documento não teria sido possível sem a colaboração de todas as organizações que desenvolvem projectos de intervenção ou prestam serviços a requerentes de asilo e refugiados em Portugal.

O primeiro passo foi dado a 3 de Julho de 2002 com a apresentação do Estudo para o Diagnóstico e Avaliação do Processo de Acolhimento dos Requerentes de Asilo em Portugal, realizado pela GEOIDEIA – Estudos de Organização do Território, Lda. Este Estudo Diagnóstico permitiu identificar as entidades que apresentavam algum tipo de actuação junto deste público-alvo.

Aproveitando o lançamento do Estudo Diagnóstico, realizou-se uma primeira reunião de trabalho, tendo os participantes sido repartidos por três Grupos Temáticos:

1. Acolhimento dos Requerentes de Asilo,
2. Integração dos Refugiados,
3. Regime Jurídico do Direito de Asilo: a Lei e a Prática.

No seio destes Grupos, os participantes reflectiram não só sobre o conteúdo do Estudo Diagnóstico, como também sobre a forma como o actual Sistema de Acolhimento e Integração dos Refugiados em Portugal poderia ser construído tendo em conta as recomendações apontadas pelo Diagnóstico. Pois, até aqui, constatou-se a existência de um conjunto de instituições que prestam serviços e desenvolvem actividades dirigidas a requerentes de asilo ou refugiados, embora de forma pouco organizada e desconcertada.

Os resultados dos Grupos Temáticos foram consensuais. A informação aos técnicos e a criação de um Sistema Integrado de Acolhimento aos Requerentes de Asilo apresentavamse como as principais respostas para melhorar o acolhimento.

Face a estas conclusões, tornava-se necessário reflectir sobre o modo mais eficaz de levar a cabo os objectivos fixados.

Relativamente à informação que se pretendia disponibilizar aos técnicos, tomou-se como ponto de partida o Guia de Acolhimento e Integração realizado em 1998 pelo Conselho Português para os Refugiados. Tornava-se importante ir mais além do trabalho anteriormente produzido, impondo-se a sua actualização e aprofundamento.

Com este intuito, pretendeu-se seguir uma metodologia de trabalho inovadora e participativa. Deste modo, contou-se com a estreita colaboração das instituições e dos respectivos técnicos, os quais foram convidados a intervir em todo o processo de construção deste Guia.

Ambicionava-se assim criar o ponto de partida do que se esperava vir a constituir o futuro Sistema Integrado de Acolhimento e Integração dos Refugiados em Portugal.

De modo a reflectir sobre a forma como poderia ser concretizada esta colaboração conjunta das diversas instituições, foram realizadas, a 15 de Outubro de 2002, duas reuniões dos seguintes Grupos de Trabalho:

1. Regime Jurídico do Direito de Asilo: a Lei e a Prática;
2. Acolhimento e Integração de Refugiados 1  .

No âmbito da segunda reunião de trabalho, foi realçada a necessidade de caracterizar as instituições envolvidas em todo este processo. Esta caracterização permitiria não só um melhor conhecimento dos técnicos e entidades envolvidos, como viria a constituir, também, uma importante fonte de informação para o próprio Guia.

Em Novembro de 2002, procedeu-se ao envio de Grelhas de caracterização a cada uma das instituições, com o intuito de recolher informações de ordem geral sobre as mesmas, e identificar as principais dificuldades encontradas pelos técnicos na resolução dos problemas do público-alvo. Solicitava-se, ainda, que cada uma das instituições apresentasse sugestões concretas quanto à concepção do Guia e quanto à forma como poderia ser melhorado o Acolhimento e a Integração desta população em Portugal.

A 19 de Março de 2003, apresentou-se o balanço deste inquérito.

Foram recolhidas 16 grelhas, provenientes de 7 instituições públicas2  , 6 Organizações Não Governamentais3  , uma Instituição Pública de Solidariedade Social4  , uma Organização intergovernamental internacional5   e uma instituição privada de utilidade pública6  .

As Grelhas de Caracterização conseguiram cumprir o objectivo que tinha sido fixado, permitindo uma melhor caracterização das diversas instituições envolvidas.7  

Apresentada a estrutura prevista para o Guia em fase de elaboração, tendo em conta o âmbito de actuação de cada um das instituições, foram, estas instituições foram então repartidas por quatro Grupos de Trabalho:

- Apoio Social,
- Saúde,
- Emprego, Formação Profissional e Educação.
- Regime Jurídico.

Na elaboração das partes temáticas do Guia, existiu sempre uma grande preocupação em atender às dificuldades que eram apontadas pelos técnicos. Face ao isolamento dos mesmos perante a urgência e a complexidade dos problemas a resolver, o Guia deveria oferecer um conjunto de soluções para os problemas apontados pelos técnicos, tornando este trabalho mais rápido e eficiente.

Após a compilação e o tratamento da informação, reuniram-se sucessivamente os 4 Grupos de Trabalho temáticos. O objectivo destas reuniões era proceder à apreciação crítica dos materiais produzidos, assim como dos problemas específicos dos requerentes de asilo relativamente a cada aspecto do acolhimento e integração (saúde, educação, emprego e formação profissional e apoio social).

O presente documento representa o fruto deste trabalho conjunto com as instituições já enumeradas. Trata-se, portanto, de um Guia elaborado com e para os técnicos.

Um dos objectivos primordiais deste projecto prendeu-se com a metodologia de trabalho inovadora que se pretendeu seguir. Devido a este mesmo carácter de inovação, tivemos que superar certas barreiras e resistências.
Uma das principais dificuldades residiu na disponibilidade que os técnicos estavam dispostos a oferecer para colaborar na elaboração do Guia, o qual lhes era todavia destinado.

Fazendo uma retrospectiva do trabalho que foi desenvolvido em “parceria” com esta rede alargada de entidades, podemos dizer que o mesmo veio permitir aprofundar as problemáticas, numa tentativa de melhorar a identificação da informação que se esperava encontrar no Guia. Foi também uma forma de aproximar as instituições envolvidas no Acolhimento e Integração dos Refugiados em Portugal e de consolidar a rede alargada de instituições.

O presente “Guia de Acolhimento e Integração de Requerentes de Asilo em Portugal” é constituído por 3 partes:

Numa primeira parte, procurou-se tentar dar resposta às perguntas que surgem mais frequentemente no que diz respeito aos aspectos jurídicos do asilo. Segue-se o esquema do procedimento do asilo que deverá permitir um melhor acompanhamento dos casos individuais.

A segunda parte deste Guia incide sobre o acesso dos requerentes de asilo e refugiados aos serviços e instituições em Portugal, ao nível da Saúde, Educação, Emprego e Formação Profissional e Apoio Social. Pretendeu-se, assim, optimizar o acompanhamento e o encaminhamento efectuado por parte dos técnicos no seu trabalho com os Requerentes de Asilo e Refugiados.

Por fim, incluímos um anexo jurídico complementado com Jurisprudência, instrumento indispensável ao trabalho dos juristas mas não menos útil para os demais técnicos.



Este Grupo de Trabalho teve origem na fusão dos Grupos «Acolhimento dos Requerentes de Asilo” e “Integração dos Refugiados”, que haviam sido constituídos na reunião de 3 de Julho de 2002.
Câmara Municipal de Loures, Centro de Saúde de Sacavém, Instituto de Solidariedade e Segurança Social (ISSS), Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT), Maternidade Alfredo da Costa e Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.
Fundação Assistência Médica Internacional (AMI), Centro de Apoio à Vítima de Tortura de Origem Político - Ideológica (CAVITOP), CIC Portugal, Conselho Português para os Refugiados (CPR), Obra Católica Portuguesa de Migrações e Serviço Jesuíta aos Refugiados.
Exército de Salvação.
Organização Internacional para as Migrações (OIM).
Cruz Vermelha Portuguesa.
É de salientar que, ao longo da construção do Guia, foram ainda integradas mais duas instituições públicas nos grupos de trabalho: a Direcção Geral de Saúde e a Câmara Municipal de Lisboa.

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