CRIANÇAS DESACOMPANHADAS NA TUNÍSIA SÃO REINSTALADAS NA NORUEGA
CAMPO DE CHOUCHA, Tunísia 24 de Janeiro (ACNUR) - O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) ajudou a reinstalar um grupo de 33 crianças desacompanhadas que passou vários meses num campo construído na Tunísia para abrigar pessoas fugindo do conflito na Líbia, no ano passado.
As crianças, que partiram para a Noruega no domingo, estavam entre as 90 que chegaram desacompanhadas da Líbia em 2011. Algumas já estavam sem os seus pais quando chegaram à Líbia; outras perderam- se dos pais ou foram separadas deles posteriormente. A maioria é da Somália, Sudão, Etiópia e Eritreia.
Viviam no Campo de Choucha, na Tunísia, o qual acolhe 3.400 refugiados. As crianças desacompanhadas contaram com a ajuda de amigos, parentes, trabalhadores humanitários locais e internacionais. No total, 39 dessas 90 crianças já foram reinstaladas - a maioria na Noruega, Suécia e Dinamarca.
"Como as crianças construíram fortes laços entre si, a partida foi difícil para muitos deles - e, especialmente para aqueles que continuam à espera de serem reinstalados", disse o porta-voz do ACNUR, Adrian Edwards, a jornalistas em Genebra. "A vida no campo de Choucha continua difícil, com vento e frio intenso. O ACNUR e os seus parceiros esperam que em breve sejam encontradas soluções para as crianças desacompanhadas que continuam no local - assim como para os outros refugiados que também lá estão".
O ACNUR presta assistência em Choucha, trabalha com as crianças e as suas comunidades em busca de soluções adequadas para cada uma delas, advoga pela reinstalação e submete casos para países de reinstalação. A Organização Internacional para Migrações (OIM) oferece orientação voltada para as necessidades das crianças e organiza o transporte para a sua nova casa - como o voo deste fim de semana para a Noruega.
Edwards ressaltou que o ACNUR considera a reinstalação como a única opção viável para a maioria dos refugiados reconhecidos que fugiram da Líbia para o Egito e Tunísia em 2011. Os dois países permitiram que milhares de migrantes permanecessem temporariamente nos seus territórios antes que fossem repatriados numa missão conjunta realizada entre o ACNUR e a OIM. Estas agências solicitaram aos Estados, especialmente aos países europeus, que oferecessem mais vagas de reinstalação para os refugiados que ainda estavam nas fronteiras do Egito e da Tunísia.
O ACNUR concluiu a determinação do estatuto de refugiado para todos os 2.500 requerentes de asilo no campo de Choucha e 2.200 foram reconhecidos como tal. Conjuntamente com outras 800 pessoas reconhecidas como refugiadas na Líbia antes dos conflitos em 2011, mais de 3.000 refugiados no campo foram cadastrados para serem reinstalados.
Enquanto isso, em Saloum, fronteira do Egito com a Líbia, das 1.800 pessoas que se encontravam no local, cerca de 1.400 pessoas foram cadastradas para a reinstalação .
Propostas de reinstalação dos campos de Choucha e Saloum foram aceites pela Austrália, Bélgica, Canadá, Dinamarca, Finlândia, Irlanda, Holanda, Noruega, Portugal, Suécia e Estados Unidos. Recentemente, Alemanha, Nova Zelândia e Espanha anunciaram que enviarão missões de seleção aos dois campos para receber refugiados reinstalados.
O ACNUR está a solicitar aos países de reinstalação que agilizem as decisões sobre as propostas encaminhadas. Até ao momento, somente um em cada cinco refugiados submetidos ao processo de reinstalação foi aceite, e somente um em cada seis - totalizando 731 refugiados - já deixaram os campos. Os centros de trânsito de emergência do ACNUR na Roménia e na Eslováquia estão a oferecer um espaço extra para que os refugiados, tanto na Tunísia como no Egito, possam ser entrevistados para futuras reinstalações, especialmente nos Estados Unidos e na Holanda.
(c)ACNUR Adrian Edwards