CENTRO DE ACOLHIMENTO PARA CRIANÇAS REFUGIADAS (C.A.C.R.)
"Crianças Desacompanhadas", uma categoria especial de refugiados.
A guerra e as deslocações forçadas destroem as estruturas sociais normais e as crianças encontram-se entre aqueles que mais sofrem. Cerca de metade dos refugiados que beneficiaram da assistência do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) ao longo dos seus 60 anos de história tinham menos de 18 anos. De acordo com a organização "Save the Children", desde 1990 já morreram aproximadamente 2 milhões de crianças em resultado de confrontos armados, pelo menos 6 milhões ficaram permanentemente incapacitadas ou seriamente feridas e mais de 1 milhão perdeu os seus pais ou foi separada das suas famílias. Contrastando com a primeira metade do século passado, em que apenas 5% das vítimas de guerra eram civis, nos últimos anos do século XX e início do novo milénio, mais de 90% das pessoas feridas ou mortas em conflitos armados são civis e, cerca de metade, crianças. Muitas das que sobrevivem integram uma categoria específica de refugiados - são "crianças desacompanhadas" ou "separadas", o que significa, na definição do ACNUR, que com uma idade inferior a 18 anos, se encontram fora do seu país de origem, separadas de ambos os progenitores ou de quem delas cuide habitualmente, e para as quais não se encontra qualquer pessoa que, por lei ou costume, em relação a elas, assuma a responsabilidade. Os menores separados são um grupo extremamente vulnerável no seio da população refugiada - depois de situações de barbárie extrema que os desenraizaram, deixando-os sozinhos no mundo, estão frequentemente sujeitos a situações de abandono, agressões, recrutamento militar forçado, a toda uma série de outros abusos e violências. É neste contexto que surge a ideia de projecto do CACR. Portugal contribuirá assim no esforço do sistema de protecção internacional, integrando de uma forma mais solidária a vasta comunidade de Estados que subscreveram a Convenção de Genebra de 1951 e/ou o Protocolo de Nova Iorque de 1967, com um projecto que visa os refugiados mais vulneráveis.


Lançamento do Projecto
A construção de um Centro de Acolhimento para Crianças Refugiadas (CACR), uma antiga aspiração do Conselho Português para os Refugiados (CPR), dá um passo decisivo quando a Câmara Municipal de Lisboa, por iniciativa do seu Presidente, António Costa, disponibiliza para o efeito um edifício degradado no Parque da Belavista, Lisboa. Para reabilitação e adaptação das instalações, juntam-se diversos patrocinadores, dos quais se destaca uma firma de relógios. No dia 5 de Novembro de 2009, no Fórum Lisboa, em Lisboa, realizou-se a cerimónia de lançamento do projecto.


Primeira Pedra da Construção
A 22 de Novembro de 2010, no Parque da Belavista, Lisboa, realizou-se a cerimónia que assinalou o início das obras do primeiro Centro de Acolhimento para Crianças Refugiadas em Portugal. A primeira pedra foi colocada pela Primeira Dama, Maria Cavaco Silva, a “madrinha” desta "Casa para o Mundo", numa cerimónia em que participaram os parceiros do projecto - Ministério da Administração Interna, representado pelo Senhor Ministro, Rui Pereira; a Camara Municipal de Lisboa, representada pelo seu Presidente, António Costa; o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, pelo seu Director Geral, Jarmela Palos; o CPR, pela Presidente da Direcção, Teresa Tito de Morais; a Swatch - Tempus Internacional, S.A., pelo seu Administrador, Salomão Kolinski; Luís Figo, representando a sua Fundação; a SIC Esperança, pela sua Directora, Mercedes Balsemão; e J.C.Decaux, representada por Anita Martins.


Desenvolvimento da obra e entrega das chaves
Em Dezembro do mesmo ano a empresa construtora, "Ramos Catarino, S.A.", procedeu à montagem do estaleiro da obra e deu início aos trabalhos de construção do CACR. A obra evoluíu a bom ritmo, sempre acompanhada pelo CPR e pelos arquitectos José Carlos Ferreira de Almeida e João Sampaio e em 24 de Agosto de 2011, após 9 meses de construção, foram entregues as chaves pela empresa Ramos Catarino, S.A. as chaves do Centro de Acolhimento para Crianças Refugiadas ao CPR, numa cerimónia informal que contou com a presença do staff do CPR e dos parceiros da Swtach - Tempus Internacional.


Cerimónia de Plantação de Árvores no “Jardim das Crianças”
O presente projecto teve, desde o seu início, o interesse e colaboração do Soroptimistic International Clube Lisboa Fundador, sobretudo, na pessoa da sua Presidente Dra. Lénia Godinho Lopes, que envidou todos os esforços para que a zona do recreio exterior do Centro de Acolhimento para Crianças Refugiadas se pudesse transformar numa realidade. No dia 20 de Setembro de 2011, por ocasião do 20º aniversário do CPR, realizou-se a plantação de árvores oferecidas pelo Soroptimistic no “Jardim das Crianças” do Centro de Acolhimento para Crianças Refugiadas. Cada árvore foi plantada por uma mulher do Soroptimistic, tendo, simbolicamente, sido dado o seu nome a essa mesma árvore.


Mobiliário e Decoração
Iniciou-se, entretanto, a decoração e montagem do mobiliário no Centro de Acolhimento. Alguns dos artigos foram doados por "El Corte Inglês" e pela "Loja Area". O mobiliário para a zona de lazer das crianças foi oferecido pela Soroptimist International.


Acabamentos
A Câmara Municipal de Lisboa procedeu aos arranjos exteriores do CACR e foi colocada a rede de vedação no espaço exterior da fachada. Em Março pintaram-se as imagens do Swatch Caçula no espaço de recreio interior do Centro de Acolhimento para Crianças Refugiadas.


Uma Casa para o Mundo abre as portas... ao Mundo!
A 15 de Maio de 2012, numa cerimónia que contou com a participação dos principais parceiros e patrocinadores do projeto, procedeu-se à inauguração do CACR. Teresa Tito de Morais fez o discurso de abertura, seguida pela Primeira Dama Maria Cavaco Silva e pelo Presidente da Câmara de Lisboa, António Costa. Participaram também Salomão Kolinski (representante da Swatch em Portugal), Mercedes Pinto Balsemão (SIC Esperança), Pena do Amaral (BPI), Luís Figo (Fundação Luís Figo), João Gouveia (Construtora Ramos Catarino) e Anita Martins (JCDecaux). Estiveram presentes a Vereadora da Cultura da CML, Catarina Vaz Pinto, a Presidente da Assembleia Municipal de Lisboa, Simonetta Luz Afonso e o Director do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, Manuel Jarmela Palos.

 


"Crianças Desacompanhadas"
Lançamento do Projecto
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Plantação de Árvores
Mobiliário e Decoração
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Uma Casa para o Mundo abre as portas.. ao Mundo!
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As histórias de vida das "crianças não acompanhadas" que têm chegado, nestes últimos 3 anos, a Portugal demonstram-nos bem como, em pleno século XXI, o mundo tem cada vez mais necessidade da solidariedade dos povos e dos Estados. (...) Nesta Casa, que vamos construir juntos, estou certa que nenhum olhar será vazio!…
(Teresa Tito de Morais Mendes, Na cerimónia de lançamento do projecto, Fórum Lisboa, 05/11/09)